
Ouro Preto: Povoado Mágico
Parte I: povoados da Estrada Real
107 - From Viçosa para Ouro Preto...
A viagem para Ouro Preto nos leva um pouco mais 2:30 horas de carro. Saindo de Viçosa está cinza e mais adiante o céu começa a se abrir, o que nos dá esperança de que no dia seguinte a previsão melhore. Pouco depois, a chuva nos pega no alto de Mariana...
Minha mãe! Não importa como it_rains! Mesmo que o céu caísse esta cidade é linda! No entanto, nem tudo são rosas. Tatiana tem a parte mais difícil, que é dirigir, e não é fácil para ela. As ruas são de pedra, estreitas, com declives acentuados e se somarmos a chuva, temos o combo completo. Depois de várias manobras e contornando a cidade, Tatiana consegue estacionar a poucos metros do Goiabada com Queijo (R$ 40 por noite em quarto compartilhado), o hostel onde ficaremos neste final de semana.
O dono é muito alegre e jovem...
À noite encontramos nossos colegas de quarto dos EUA que nos recomendam visitar o Museu do Alejaidinho, um dos mais importantes arquitetos de igrejas do Brasil. Quando tento transmitir para Tati o que as meninas me dizem, meu cérebro entra em curto-circuito e enquanto meu cérebro me diz que eu tenho que falar em português, só palavras em inglês saem da minha boca. Demoro alguns minutos e finalmente a luz é feita...
108 - Parque das Andorinhas...
De manhã, após o café da manhã, encontramos Fernanda, uma moça muito simpática de BH (Belo Horizonte) que nos conta que seu companheiro de viagem que conheceu no dia anterior é um personagem bastante estranho e chato, e sem dúvida, após conhecer o acima foi correto.
Decidimos que, apesar do clima incerto, queremos fazer trekking no Parque das Andorinhas e convidamos o Fer para se juntar a nós, porque é assim que é, você está viajando e quer que todos ao seu redor façam parte disso.
Depois de pronto, caminhamos até o ponto de ônibus a poucos metros da Plaza Tiradentes. Pegamos o ônibus até o Morro Santana por um custo de R$ 2,70 e descemos na Bar do Baú de onde começamos nossa caminhada de cerca de 40 minutos até chegarmos ao Parque das Andorinhas.



Perguntamos a um homem que trabalha no parque como chegar à Cascada das Andorinhas e depois da breve explicação, a verdade é que é fácil chegar lá. Algo a elogiar no parque é que a sinalização é uma das melhores, é uma questão de prestar atenção nas setas que aparecem ao longo do percurso. Demora cerca de 10 minutos para chegar ao miradouro da P edra do Jaguar...


Muitas fotos que tornam o parque famoso estão nesta pedra, quase sempre com pessoas sentadas nela. O que ninguém lhe diz é que o acesso à pedra é restrito pelas grades do mirante acima. Obviamente há sempre alguém que passa por eles, mas sempre por sua conta e risco...
Para chegar até onde a foto acima, a trilha desce por escadas irregulares de pedra que possuem corrimão. Agora o acesso à gruta pode não ser totalmente óbvio mas está à vista...

Embora entrar na minicaverna seja de cócoras não seja totalmente confortável, a questão é que não se trata de a natureza se adaptar a uma, mas sim de se adaptar a ela...
Uma vez do outro lado a vista do interior o panorama é impressionante, mas isso é apenas uma parte daquele lugar incrível, a melhor parte é alguns metros abaixo...

Para a descida subo duas rochas enormes. Um deles tem uma corda que seguro com uma mão e com a outra sinto o pé descalço no primeiro degrau da escada. Parece escorregadio e a verdade é que sinto que posso escorregar. Embora eu tenha alguma relutância, mas não medo, estou mais do que convencido de que quero continuar explorando. Ao mesmo tempo, Tatiana tira os sapatos, sobe nas pedras e assim desce. Ela me contagia com sua coragem e lenta mas seguramente a cada passo...

Minha mãe! A água está gelada! Caminho lentamente sobre as pedras sob meus pés. No início a gruta é um pouco escura e estreita, mas a cada passo ela começa a se abrir aos poucos e a luz a filtrar. Tatiana está alguns metros à minha frente. Ela parece feliz posando para Fer que está alguns metros acima de nós...

Depois de visitar a gruta, nosso próximo passo é visitar as cachoeiras: Pelados y Veu de Noiva, e é nesta última que um hóspede indesejado se junta a nós. Quem poderia ser?


A cachoeira Veu de Noiva só pode ser vista de cima...
Como fazer um filme de terror...
Tudo ia bem, o céu começava a clarear e até havia sol. Fer tomando sol, eu sentada em uma pedra do rio enquanto Tatiana tirava uma foto minha e de repente vejo um homem aparecer. No começo eu pensei que era qualquer cara, mas não era o caso. Era o russo de personalidade estranha, que assim que chegou foi direto na direção de Fernanda que não o havia notado...
Acontece que o russo maluco que vai saber por que se acreditava que Fernanda deveria pedir permissão a ele para usar seu livre arbítrio, começou a se irritar como nas últimas 24 horas. Felizmente para nós, o russo ficou brevemente na vegetação. Houve um momento em que Tatiana disse que talvez o russo tivesse ido embora e eu me perguntei se ele estava espionando. Acho que minhas dúvidas foram esclarecidas quando decidimos que era hora de sair e, oh, chance! o russo emergiu da vegetação fazendo sinais e dizendo quem sabe o quê, mas o fato é que ele estava bem longe de nós. Começamos nosso caminho ao longo da subida que levou cerca de 40 minutos.
Foi incrível que quando chegamos na entrada do parque, menos de 5 minutos depois, o russo estava atrás de nós, ou melhor, Fer, que começou a pedir explicações do motivo de suas mudanças de planos e a brigar com ela como se ela tivesse que ser responsável. Honestamente, não sabíamos se o russo era algum tipo de psicopata obcecado por Fer, mas o cara sem empatia era intimidador. Aproveitamos para ir aos banheiros e depois com a ideia de ir para a trilha vimos ele nos observando de longe e assim como as meninas fomos ao posto de turismo do parque. Sinceramente, nenhum dos três quis fazer a mesma trilha e explicamos aos moradores sobre o cara esquisito e eles indicaram uma trilha de cerca de 15 minutos (que durou pelo menos uma hora) até a cidade mais próxima e de lá descendo até a Praça Tiradentes .
Depois de chegar na cidade e comer alguma coisa, voltamos para o albergue onde Fer já havia decidido pegar suas coisas e ir embora e para nossa surpresa, apesar de não termos encontrado o russo, ele também decidiu ir embora. Nosso maior medo era que ele viajasse no mesmo ônibus para BH com Fer. Felizmente, ela já havia pegado o ônibus anterior...
De acordo com o que soubemos depois, supõe-se que o russo já viaja há cerca de 5 anos e usa o couchsurfing com o que, na sua perspetiva, é conhecer lugares mas não só mas sempre acompanhado. Em outras palavras, o russo acredita que o anfitrião tem a obrigação de levá-lo daqui para lá como quiser, tirar fotos dele e assim por diante. Sinceramente, o cara era esquisito, gostava de impor sua vontade e se não entendia começava a brigar. Neste mundo há de tudo, mas é claro que há todo o tipo de viajantes, embora o que mais me impressione seja que com tantos anos de viagem não aprendi a respeitar os tempos dos outros e sobretudo a aproveitar a independência e flexibilidade que dá-te a viajar sozinho...
109 - Dia inteiro
Nossa manhã de domingo começa percorrendo as pitorescas ruas de Ouropretenses (é assim que se diz?). Pouco a pouco eles começam a se encher de turistas chegando e grupos de alunos com seus professores.
![IMG_20180819_214918_130[1].jpg](https://static.wixstatic.com/media/fe4695_ef888a9af2424970afa8cd19067e32b2~mv2.jpg/v1/fill/w_600,h_340,al_c,q_80,usm_0.66_1.00_0.01,enc_avif,quality_auto/IMG_20180819_214918_130%5B1%5D.jpg)
Tatiana me conta um pouco sobre a Plaza Tiradentes e sua história. Para começar, foi o ponto de encontro da população há mais de 300 anos. No centro da praça seca está o monumento a Tiradentes, revolucionário da época que foi executado na referida praça e decapitado no local...

Ao fundo Praça Tiradentes. Joaquim José da Silva Xavier foi e é conhecido por essa alcunha, que foi esquartejado e decapitado na praça que leva o seu nome, activista dos direitos dos escravos, entre outros feitos que merecem destaque.
Palácio Minas...
Uma das primeiras coisas que ficou claro para ele foi que ele queria visitar uma antiga mina. Será que ficou na minha lista de coisas a fazer quando visitei Potosí na Bolívia? É provavel. O fato é que pouco antes de chegarmos a Ouro Preto, passamos pelas Minas do Passagem em Mariana. Parecia uma boa ideia visitá-los, considerando que estava chovendo torrencialmente. O fato é que a entrada para ela tinha uma taxa de R$ 80 (com desconto de estudante), que estava claramente fora do nosso orçamento. O bom é que se sobra alguma coisa em Ouro Preto, são as minas (daí o nome do estado: Minas Gerais). En fin, en una de las tantas iglesias por las que pasamos, conocimos a un guía que nos contó un poco sobre la historia del Ouro Preto (que inicialmente tenía por nombre Vila Rica y su población superaba en ese entonces a la población de Nueva York do tempo). Visitamos a casa onde morava o pai de Alejaidinho e mais adiante nas minas do Palácio...

A visita guiada dura aproximadamente 40 minutos e custa R$ 30. O guia é apaixonado por história e claramente por sua profissão porque, sem dúvida, transmite ao ouvinte uma ampla gama de sensações e sentimentos. Durante a visita são visitadas várias galerias, que se dividem em dois circuitos: inferior e superior. Durante a introdução à visita guiada aprendemos sobre os diferentes estratos de escravos e o seu valor e que até as mulheres eram as mais valiosas porque serviam para a limpeza, a procriação dos filhos que seriam levados na idade certa para trabalhar nas minas , e em muitos casos para a prostituição. Aprendemos também como todo o ouro foi levado para Portugal, embora a maior parte tenha sido levado para a Inglaterra por tratados diplomáticos e como Ouro Preto chegou a ter mais de 7.000 minas (muitas delas repousam tranquilamente sob mansões na cidade) e como estas estão inativos desde que Ouro Preto foi considerado Patrimônio da Humanidade pela UNESCO.

Infelizmente, a pior parte da história sempre foi para os escravos africanos e, infelizmente, as crianças de cor não estavam isentas do trabalho. Aos 5 anos começaram a trabalhar e aos oito já cavavam túneis. O buraco atrás de nós é a evidência disso até hoje...
Mariana, onde nasci Minas Gerais...
Ao chegarmos a Mariana, o céu nos recebe com uma ampla gama de cinzas. Anuncia claramente que vai chover, mas nunca imaginávamos que em apenas 200 metros iria embora com tudo...


Depois de caminhar em direção à igreja no alto do morro e verificar que ela estava fechada, nos abrigamos em um ateliê onde um artista local nos permitiu esperar a chuva passar. O artista foi muito gentil em nos permitir testemunhar seu trabalho ao vivo e direto. Ele me diz que cada trabalho leva pelo menos quarenta dias e que muitos são comprados por famílias...
No final da tarde e já de volta a Ouro Preto, Tatiana e eu nos despedimos com um grande abraço e torcendo para que não demorasse muito até nos encontrarmos novamente...
Dicas e recomendações
Onde comer: O Satellite Restaurant oferece um cardápio do melhor estilo fast food, sopas e cervejas artesanais. A maioria dos pratos está acima de R$ 20, mas também há sopas a partir de R$ 8 e a opção de montar hambúrgueres para atender o jantar, en donde_cc781905 -5cde- 3194-bb3b-136bad5cf58d_cada ingrediente de sua preferência fica em torno de R$ 1,50, então você pode escolher quanto quer gastar. Outra opção é o Restaurante Tiradentes onde você pode comer por R$ 15 buffet livre.
Onde se hospedar: Ouro Preto possui ampla infraestrutura hoteleira para todos os gostos. Minha escolha foi Goiabada com Queijo por R$ 40 por noite em quarto misto compartilhado com café da manhã incluso, Wi-Fi e uma seleção de filmes em DVD.
Como chegar saindo de BH: A empresa Passáro Verde chega à cidade em uma viagem de menos de 2 horas.
Precauções: Para quem decide visitar a cidade em veículo próprio ou alugado, lembre-se de que a cidade de Ouro Preto é construída em cima de morros. Suas ruas são estreitas, empedradas e íngremes, o que exige motoristas experientes e sem contar dirigir nas condições mencionadas e agregar condições climáticas como chuvas fortes.
Onde estacionar: essa é a pergunta de um milhão de dólares! Se tem alguma coisa que em Ouro Preto não chega, é justamente um lugar para estacionar e se tem alguma coisa que sobra é vehiculos.
Calçado: Sinceramente, não consigo acreditar que existam mulheres andando de salto alto nas calçadas e ruas como você. Ouro Preto é um lugar para caminhar de alto a baixo, mas sempre atento para evitar acidentes e parte disso é o uso de bons calçados. Quando chegamos estava chovendo muito e as pedras das estradas e ruas estão extremamente escorregadias. De facto, tal é o caso que em várias estradas existem corrimãos para evitar quedas.
Para acompanhar as postagens em ordem cronológica
Início da viagem: 03/05/2018
Parte 1........ San Miguel de Tucumán - Tucumán
Parte 2 ................. Cerro San Javier - Tucumán
Parte 3 ................ Amaicha del Valle - Tucumán
Parte 4................................ Cafayate - Salta
Parte 5 ................ Ruínas de Quilmes - Tucumán
Parte 6 ............ Cafayate (modo de baixo custo)- Salta
Parte 7................................ Salta Capital - Salta
Parte 8........... Quebrada de Humahuaca - Jujuy
Parte 9........................................ Iruya - Salto
Parte 11................................................ Sucre - Bolívia
Parte 12 ............................ Copacabana - Bolívia
Parte 13_cc781905-5cde-3194-bb3b-136bad5cf58d.............................. Isla del Sol - Bolívia
Parte 14 ................................ Cusco - Peru
Parte 15 ............................ Machupicchu - Peru
Parte 16_cc781905-5cde-3194-bb3b-136bad5cf58d.............................. Arequipa - Peru
Parte 17 ................................ Cajamarca - Peru
Parte 18_cc781905-5cde-3194-bb3b-136bad5cf58d.............................. Chachapoyas - Peru
Parte 19_cc781905-5cde-3194-bb3b-136bad5cf58d.............................. Leymebamba - Peru
Parte 21 .......................... Cusco (Parte II) - Peru
Parte 22. ........................ Cusco (Parte III) - Peru
Parte 23......................... Ollatantaymbo - Peru
Parte 24 .......................... São Paulo - SP- Brasil
Parte 25_cc781905-5cde-3194-bb3b-136bad5cf58d..............................Viçosa - MG - Brasil
Parte 26 .......... Ouro Preto - MG -Brasil
Parte 27 ................. São João del-Rei - SC - Brasil